Na Vila tinha de tudo. Gente que faz faculdade, gente que largou os estudos para criar filhos, gente que queria ser modelo. Histórias interrompidas no meio do caminho. Queria a certeza de que, mais para frente, seriam prosseguidas. Quis saber dos sonhos de todos que moravam ali. É contraditório. Gente melhorando suas casas, afinal, é no presente que eles vivem. Mas é no futuro que se apegam. Ninguém quer continuar onde está. Um lugar sem infra estrutura de saneamento básico, sem água e luz regularizadas. E não por falta de condições para pagar. Por falta de disposição das empresas em instalar o que, para mim, não é nem questionável, é direito básico do ser humano. O conceito de cidadania parece ter sido esquecido. O que elas alegam? Para que gastar com algo que em breve será desocupado? Sigamos essa história em frente.
Alguns desconfiaram, não quiseram ser fotografados. Compreendi. Tive que compreender até os que foram menos simpáticos. Acho mesmo que a vida de ninguém é uma novela. Ainda mais se tratando de gente. Em compensação outros foram muito queridos, e já moram no meu coração.
Me vi no filme Paris, Eu te amo, quando conheci uma babá que sai de casa e deixa duas menininhas lindas para cuidar da filha dos outros. Uma das cenas que mais me comoveu nesse filme foi quando a moça latina deixava seu filho recém nascido na creche e ia cuidar de uma outra criança. Vivi todo aquele momento denovo.
A mãe e as menininhas lindas
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