domingo, 31 de maio de 2009

Leda

A Leda tem 20 anos. Antes de ter essa menininha linda, que por sinal tem um nome lindo (Fernanda, claro), ela era modelo. Parou de estudar e hoje é casada com o filho mais velho do Luciano, o Biba, que é mecânico e palhaço profissional. Alias, ele arrumou o carro que, ao quebrar, me fez conhecer toda essa gente aqui. Há males que vem para o bem.

O sonho de ser modelo não deixou de existir

As declarações da pequena Thaís

"Você é muito bonita, viu", disse ela.
"Obrigada", eu falei.
"O que você é minha?", continuou.
"O que você quer que eu seja sua?", questionei.
"Você pode ser minha amiga?"
(Silêncio)
"E eu te amo, viu", completou, quebrando minhas pernas..


Obrigada, muito obrigada.

Só para ambientar vocês, a Thaís é a filha caçula do Luciano. Tem esclerose tuberosa e a primeira vez que pisei aqui, ela só conseguia me elogiar, falou que eu era bonita até eu me cansar de ficar com vergonha. Uma querida. Me vê e abre um sorrisão. Nunca esqueceu meu nome. Nem por um minuto. Vive me enchendo de beijos e abraços. Está sempre por perto, puxando assunto, sendo querida assim, de graça e de coração.

Lucicleide

A suposta nora do Luciano, namorada ciumenta do Jhon Leno. A Lú tem 17 aninhos e eu tô aqui brigando com ela porque ela tem que voltar a estudar. É toda bonitona e tem um sorriso lindo. Assim como muita gente, e agora eu mesma, adora ficar por aqui. Almoçamos e passamos a tarde juntas hoje. Me contou parte da sua vida, da sua história. Tão novinha e já tem muito pra contar. E agora, para me deixar mal acostumada, está mexendo no meu cabelo enquanto eu escrevo essas palavras.
Eu e Lucicleide, nesse domingo com sabor mineiro

Peixada

Blogando diretamente do Núcleo. Após uma peixada dessas, só nos resta descansar. Todo mundo reunido na sala, vendo tv, rindo.. Estamos bem, obrigada. E o domingão se vai assim.
Peixada feita pelo presidente da associação

Declarações de domingo

"Eu te amo, queria saber se você me ama também." Amo, claro que amo.

Thaís, filha do Luciano.

A primeira dama



A Lúcia me ensinou que você coloca 3 colheres cheias de açúcar e 1 e meia de café na panela, deixa ferver e passa pelo coador de pano. Gostoso é chegar na casa dela e sentar na cadeira que era de um escritório de advocacia, assim, bem esparramada, fofocar um pouquinho e se proteger do frio que faz por ali. A Lú é esposa do Luciano. Muito, muito querida. E faz um bolo que melhor nem comentar..

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tudo é uma troca

Eu sei que no final, apesar de ainda estar no meio do processo, sou eu quem sairei transformada disso tudo. Aquela que nunca gostou muito de café, hoje comprou um coador de pano, do jeitinho que é preparado lá na Vila. Adocei a água e morri de orgulho do meu café "mineiro", como eles mesmo chamam. É tudo uma questão de se permitir experimentar. Longe de qualquer tipo de preconceito. Depois daquela primeira segunda-feira, eu não recuso mais nenhum cafézinho ali dentro. O pessoal já até sabe..

Café mineiro servido lá na Vila..só assim para me fazer gostar.

Uma terça feira corrida.. - Parte IX

No final pausa para o café e para o biscoito. Sempre bem recebida na casa do pessoal. Dessa vez na do Luciano. Aquilo ali é uma festa sempre. Os vizinhos estão sempre juntos. No domingo ele disse que pensou em me ligar, tinha feito uma peixada. Eu disse que deveria ter ligado. Ainda fiquei brava porque não ligou. O mineiro já foi até cozinheiro profissional. Nem acredito que perdi essa! Depois da tarde longa, ele veio me trazer em casa. De tão cansada, fui dormir 10 horas da noite. Ando depositando todas as minhas energias nesse projeto. E agora meu trabalho individual está apenas começando...
No fim, entre flores, prosa e café.

Uma terça feira corrida.. - Parte III

Após duas horas na Secretaria de Habitação e Meio Ambiente, corremos para o Núcleo. Eu tinha urgência em pegar o pôr do sol. Queria fotos com a luz do dia. Deu tudo certo. Tirando o susto de um morador que estava bêbado e começou a falar mais grosso. Minha vontade foi de chorar. Nessa hora o Luciano e o filho dele estavam mais afastados e não perceberam o movimento. Depois riram da minha cara de assustada. Eles sabiam que o cara era doido e não ia me fazer nenhum mal. Eu fiquei brava e eles continuaram rindo. Tirei muitas fotos. Tem cada canto cenográfico ali. Descobri que eu realmente adoro cores. O vermelho e o amarelo me fascinam e ficam lindos quando clicados sem flash.

Amarelando..

Uma terça feira corrida.. - Parte II

Saindo de lá fomos para a Secretaria de Habitação e Meio Ambiente (SHAMA). A discussão agora seria sobre a desocupação. Todas as respostas eram vagas demais. Só sabemos que eles serão encaminhados para o projeto Minha Casa, Minha Vida e que demorará uns quatro anos até ficar tudo certo. Os prédios ainda estão em fase de construção.. Fiquei imaginando a demora que isso representa. Viver mais quatro anos sem água, sem luz, sem esgoto... Nada disso é regularizado lá no Núcleo. A conversa com o arquiteto e petista, José Roberto foi bastante proveitosa. Apesar de saber que ele é um político nato e isso envolve vários outros pareceres, eu não pude deixar de admirá-lo. O cara é muito inteligente! Me explicou muito sobre a questão fundiária, algo que é totalmente do meu interesse. Concordei com ele quando quando ele disse ser contra o sorteio de casa própria. Acho mesmo que devem ser distribuidas de acordo com a necessidade. Os que estão em risco, em primeiro lugar. Logo depois as mães solteiras e com filhos deficientes e por aí vai.

Fiquei chocada com esse tal de renda-abrigo. Eles pagam 350 reais para cada família desocupar o lugar onde mora e alugar um outro, enquanto o tão sonhado imóvel não é fornecido pelo governo. "O que se aluga com 350 reais??", pensei comigo. A casa do Luciano, por exemplo, tem quatro quartos, cozinha, sala, área de serviço, dois banheiros... Mas também ele tem um monte de filhos. Imagina receber 350 reais para ir embora dali. Vai morar onde com tudo isso de gente? "Em um quarto e sala", disse José Roberto. Totalmente sem noção alguma da realidade. Mas a conversa foi ótima e em nenhum lugar eu fui apresentada como jornalista. Alguns até achavam que eu era advogada do Luciano e isso foi engraçadíssimo. Ele dizia que eu era parente de alguém que morava na Vila, as pessoas desconfiavam.

Questionei também o uso capião. Os moradores já poderiam ter entrado com esse pedido. Mas como é por cima do terreno do Núcleo que uma alça da Avenida Lauro Gomes vai passar, o interesse público fica acima do privado. Pelo visto é só nesses casos que vemos isso acontecer..


Após 2 horas na Secretaria de Habitação e Meio Ambiente

Uma terça feira corrida.. - Parte I

Nessa última terça feira passei uma tarde inteira com o Luciano. Onze horas da manhã ele me liga lembrando da nossa reunião na prefeitura. Passou aqui para me pegar e conforme combinado, as duas estávamos lá. Minha primeira vez naquele prédio enorme, no décimo sétimo andar. Fomos atendidos pela secretária do vice prefeito. O Frank e o assessor dele estavam ocupados com a festa de aniversário da cidade. Gisele é o nome da moça. Foi super simpática, mas no final nos sentimos completamente enrolados. A reivindicação dele era água. Lá pelas 10 horas o abastecimento fica reduzido a quase zero. Crianças tomam banho de caneca, falta água para tudo. O cano que abastece as 60 casas não dá conta e a sabesp se nega a regularizar. É economicamente inviável, afinal, a desocupação ali é certa, portanto para que gastar dinheiro investindo nisso? Essa é a lógica da empresa. Um absurdo.

No fim a Gisele fez uma pergunta que me deixou mal "Vocês aceitam um copo de água?" Não aceitamos, óbvio. Eu devia ter pedido não só um copo, mas uns 100 litros. Imagina se as quase 300 pessoas que moram na Vila estivessem com sede naquela mesma hora...

Luciano e a vista do décimo sétimo andar da prefeitura

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um exercício de sensibilidade

Acho que essa frase acima define tudo. O jornalismo não é nada além disso. Não condeno o lead, muito menos as notícias mecânicas e factuais. Tudo se encaixa nesse meio. Tudo cumpre seu papel e exerce sua função. Não dá pra viver sem isso. Mas a questão é que não vivemos apenas disso. Há pauta em tudo quanto é lugar. Achei a minha quando fui com um amigo consertar seu carro. "Mas é em uma favela", disse ele. Mesmo assim eu estava lá na hora e no momento certo. Descobri uma história incrível, mas tão incrível quanto muitas outras que rodam por aí. Deixo essa questão aos outros que seguem esse mesmo caminho: Você tem exercitado seu olhar? É tudo questão de sensibilidade, saber ouvir, saber pescar cada minúcia e detalhe. Segundo o Adi, o professor e responsável por jogar em nossas mãos um trabalho tão livre e instigante como este, jornalista tem que ser apaixonado por gente. Hoje posso afirmar, cada pessoa é uma pauta, só esperando para ser descoberta. Aproveite.

Uma crítica ao P.I

Trago uma questão, não que eu ache o Projeto Integrado sem razão, acho até um trabalho interessante, mas não nos coloca em contato com o mundo real, nos deixa na posição acadêmica de análise. Analisar tudo de fora, tudo do ponto de vista intelectual. Temos que sair do universo acadêmico e 'botar o corpo no rua'. Deixar de formar profissionais cujo poder de síntese e análise parecem ser tão completos, mas que não são capazes de se sensibilizar com nada. Deixam escapar o essencial, como já dizia o autor de "O Pequeno Príncipe", este que é invisível aos olhos. É por isso que nos deparamos com professores tão contraditórios e nada educadores. Ricos de conteúdo, mas um conteúdo completamente questionável. Qualquer um que se dispuser, assimila textos, livros e etc. A academia é velha e ultrapassada. Quero saber do que te faz sair na rua, dar a cara ao tapa. Só isso te coloca na condição de ser gente, ser humano.

E um parabéns ao Adi, que conseguiu 'sair da caixa' e finalmente nos trazer um trabalho como este.

domingo, 24 de maio de 2009

Documentos jurídicos

Pesquisando sobre a empresa que alugava o terreno me deparo com uma super dificuldade. A leitura desses complicados documentos. Não entendo quase nada. Encaminho tudo para um amigo advogado. Pelo menos a consulta é de graça.

As transcrições e meu sono atrasado

Já transcrevi as primeiras entrevistas.. daquela segunda feira. As do dia da foto nem comecei. Confesso que estou um pouco sem coragem. É muita coisa. Muita história, muita informação. Vou levar no mínimo umas 3 horas com isso. E meu sono já está atrasado no mínimo mais 12 horas.

sábado, 23 de maio de 2009

A sexta feira que eu não tirei para mim

Fim de semestre é assim mesmo. Junta tudo e não te sobra tempo pra nada. Tenho sido até relapsa e empurrado tudo que posso das outras matérias para frente. Sem dúvidas esse é o trabalho mais suado de todos. Exigindo de mim um esforço físico, emocional e mental. Nessa sexta feira tinha decidido descansar e começar a encaminhar outros compromissos. Em vão. As 14 horas toca meu celular, era o Luciano. Não pensei duas vezes. Óculos escuro para esconder a cara de cansada e lá fui eu pegar aqueles documentos que ele havia tirado xerox. Aproveitamos e marcamos uma reunião na prefeitura para terça feira. Estarei presente, claro. As 14 horas com o assessor do Frank Aguiar. Vamos que vamos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A parceiria


Se não fosse por ele, nada disso existiria.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Fotografando IX

Tirada as fotos, foi a hora do descanso. O Bar da Avenida foi cenário mais uma vez para partidas de sinuca e algumas cervejinhas. (Será que posso escrever isso aqui?) Meu computador ligado na maior confiança ali ao lado. Cheguei até a twittar aquele dia. Andei de moto emprestada, só uma voltinha ali dentro, fazia tempo que não andava e já estava com saudades da minha. Fui comprar um salgadinho e não deixaram. Me deram. O que é simples nessa vida, sempre me cativou mais. Fui embora com a alma lavada.


Mais cores

Fotografando III

Conheci o Enzo, o menininho de 5 anos que o Luciano já tinha comentado. Eu que esqueci de comentar aqui. O Enzo sofreu de convulsões aos 2 anos e ficou com sequelas. Hoje é cego, não anda, se alimenta por sonda. A mãe não pode trabalhar, pois ele precisa de cuidados 24 horas. O pai é pedreiro e ainda há na casa mais um menininho, o irmão, esse é sadio, alegre e brincalhão. O Enzo devia ser assim e por uma tragédia do destino, não é mais. Ele se alimenta de sustagem. Uma lata custa 30 reais. A prefeitura doa fraldas quando bem quer. E eu não sei como eles conseguem se virar. Não sei e vou embora triste.

O Luciano já tinha me dito que era só para o menino que ele costumava pedir ajudas assistenciais. Porque para o resto da Vila, ele queria só o que tinha de direito. Casa, água, energia, infra estrutura. Para mim, nada além dos direitos básicos de qualquer cidadão.

Enzo

Fotografando II

Na Vila tinha de tudo. Gente que faz faculdade, gente que largou os estudos para criar filhos, gente que queria ser modelo. Histórias interrompidas no meio do caminho. Queria a certeza de que, mais para frente, seriam prosseguidas. Quis saber dos sonhos de todos que moravam ali. É contraditório. Gente melhorando suas casas, afinal, é no presente que eles vivem. Mas é no futuro que se apegam. Ninguém quer continuar onde está. Um lugar sem infra estrutura de saneamento básico, sem água e luz regularizadas. E não por falta de condições para pagar. Por falta de disposição das empresas em instalar o que, para mim, não é nem questionável, é direito básico do ser humano. O conceito de cidadania parece ter sido esquecido. O que elas alegam? Para que gastar com algo que em breve será desocupado? Sigamos essa história em frente.

Alguns desconfiaram, não quiseram ser fotografados. Compreendi. Tive que compreender até os que foram menos simpáticos. Acho mesmo que a vida de ninguém é uma novela. Ainda mais se tratando de gente. Em compensação outros foram muito queridos, e já moram no meu coração.
Me vi no filme Paris, Eu te amo, quando conheci uma babá que sai de casa e deixa duas menininhas lindas para cuidar da filha dos outros. Uma das cenas que mais me comoveu nesse filme foi quando a moça latina deixava seu filho recém nascido na creche e ia cuidar de uma outra criança. Vivi todo aquele momento denovo.

A mãe e as menininhas lindas

Fotografando I

Peguei a câmera da Metodista e lá pelas 20 horas cheguei na Vila. Câmera em uma mão, gravador-celular em outra. Depois desse dia me dei conta que preciso de uma estagiária..
Fui clicando tudo. Ao todo foram 400 fotos. Me compliquei inteira, queria gravar, queria fotografar e fazia tudo junto e misturado. O bar da vila foi meu cenário favorito. Algumas casas também. Fui muito bem recebida numa casa de baianos que se mudaram para SP em busca de algo melhor. Olho para eles e pergunto o que pode ser considerado algo melhor? A casa era linda, cheia de cores e gaiolas. Tudo parecia um cenário. A família foi muito querida e eu super bem recebida, com café do jeito que eu gosto, adoçado diretamente na água. Ouvi histórias e me emocionei mais um pouco. Clicava tudo que via. Muita gente e muita paisagem. Pena que algumas fotos não saem tão boas de noite. A próxima visita já foi agendada e será pela parte da tarde. O outono nos proporciona um pôr do sol perfeito para isso.


As cores que me conquistaram

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Hoje é o dia!

Na segunda feira fui pega de surpresa com um telefonema. Na última sexta acabou não dando tempo de ligar para o Luciano e cobrar todas as xerox, deixei passar, mas ele não deixou. Me ligou faz dois dias e já marcamos que hoje seria o dia das fotos. Fiquei feliz com a sua atitude e responsabilidade. Me surpreendi e ganhei a minha semana com aquele gesto. O melhor é ver que não estou sozinha. Mas com isso a responsabilidade aumenta. E isso assusta muito.

sábado, 16 de maio de 2009

A primeira entrevista

A primeira visita aconteceu dia 7 de maio, totalmente por acaso. A segunda, já com intenções jornalísticas, veio ocorrer 4 dias depois. Dia 11, numa segunda feira, cheguei fazendo o celular de gravador e comecei como ouvinte de toda aquela história. Luciano Pereira da Silva é novo, mas do auge dos seus 38 anos, carrega consigo uma trajetória completamente singular. Uma veia política perceptível a quilómetros de distância, mas totalmente controlada e todas as vezes em que cheguei a questionar, ele já tinha a resposta na ponta da língua, aquilo não interessava a ele. Só defendia o direito do seu povo. Política era coisa de mentiroso. Ele não saberia seguir esse caminho. "Um personagem único", eu pensava e ainda penso. E ainda digo mais, vou encerrar este trabalho pensando..

Nesse dia demos uma olhada em vários documentos. Cartas, fotos, reportagens, toda a papelada da criação da Associação dos Moradores da Pereira Barreto. Me perguntava qual era a diferença ali, como e por que justamente aquele homem, entre aproximadamente 300 pessoas, tinha resolvido se organizar e fundar a associação. Como surge essa noção de política, de direitos, de deveres? Não soube responder até então. Só nos resta ficar feliz e dormir um pouco melhor. Se depender de gente assim, o direito de alguns ainda estão assegurados.

Fui embora com um bom material. Quarenta minutos de gravações, alguns dados para investigar, fotos para escanear. Deixei dinheiro com o Luciano para que ele xerocasse tudo que tinha. De qualquer forma, fui embora com uma sensação ruim. Me senti invadindo a vida daquelas pessoas, sem nenhuma garantia de retorno, de recompensa. Era eu ali, com meus 21 anos, estudante de jornalismo, ouvindo história de gente que com a mesma idade que eu, já é casado, com filho, trabalha e mora em um terreno abandonado. Era eu ali, na minha situação confortável de repórter, anotando com atenção tudo o que me diziam, me sensibilizando, sim, com tudo que ouvia. Concordando, me indignando, sofrendo junto. Mas após a entrevista, eu entrei no carro e vim dormir no Rudge, deixando pra trás toda aquela gente..

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O começo

Tudo começou com uma visita despretensiosa ao Núcleo Pereira Barreto. No meio de uma brincadeira alguém fala que sou repórter e meio sem jeito com a piada acabo atraindo alguns olhares. Quem chegou em mim foi o Luciano, pronto para contar toda a sua história. Confesso que por pouco eu não perdi todo esse momento, toda essa oportunidade. Não é comum muita gente topar um programa desses, mas isso nunca foi nenhum problema para mim. Pelo contrário, sempre foi um exercício de sensibilidade e de adaptação.

O jeito do Luciano fez cair a minha ficha. Ele seria o tema do meu trabalho de fotojornalismo. De uma idéia boba e sem graça, daquelas que a gente escolhe de qualquer jeito para conseguir nota no semestre, eu mudei a direção e resolvi apostar em um trabalho sério. Para mim e para todas as 60 famílias que ali residem.

A empolgação não foi só minha. O presidente da associação também resolveu apostar comigo. Seriam dois trabalhos, dois objetivos e duas conquistas. A minha ao desenvolver um projeto assim e a dele em contar toda a sua trajetória. No fim, seriam nossas todas as vitórias.

Fui embora empolgada. E nem me abalei com o primeiro acontecimento engraçado que eu veria ali dentro. Uma moça em um ataque de ciúmes queria porque queria bater no marido. No meio do bar da vila. Entrei no carro e parti com um compromisso selado, completamente motivada. Estaria ali a oportunidade perfeita de um novo olhar sobre o jornalismo, sobre aquelas pessoas. Há algo que precisa ser contado. E será.

Luciano Pereira da Silva