O sonho de ser modelo não deixou de existir
domingo, 31 de maio de 2009
Leda
O sonho de ser modelo não deixou de existir
As declarações da pequena Thaís
"Obrigada", eu falei.
"O que você é minha?", continuou.
"O que você quer que eu seja sua?", questionei.
"Você pode ser minha amiga?"
(Silêncio)
"E eu te amo, viu", completou, quebrando minhas pernas..
Obrigada, muito obrigada.
Só para ambientar vocês, a Thaís é a filha caçula do Luciano. Tem esclerose tuberosa e a primeira vez que pisei aqui, ela só conseguia me elogiar, falou que eu era bonita até eu me cansar de ficar com vergonha. Uma querida. Me vê e abre um sorrisão. Nunca esqueceu meu nome. Nem por um minuto. Vive me enchendo de beijos e abraços. Está sempre por perto, puxando assunto, sendo querida assim, de graça e de coração.
Lucicleide
Peixada
A primeira dama
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Tudo é uma troca
Uma terça feira corrida.. - Parte IX
Uma terça feira corrida.. - Parte III
Amarelando..
Uma terça feira corrida.. - Parte II
Fiquei chocada com esse tal de renda-abrigo. Eles pagam 350 reais para cada família desocupar o lugar onde mora e alugar um outro, enquanto o tão sonhado imóvel não é fornecido pelo governo. "O que se aluga com 350 reais??", pensei comigo. A casa do Luciano, por exemplo, tem quatro quartos, cozinha, sala, área de serviço, dois banheiros... Mas também ele tem um monte de filhos. Imagina receber 350 reais para ir embora dali. Vai morar onde com tudo isso de gente? "Em um quarto e sala", disse José Roberto. Totalmente sem noção alguma da realidade. Mas a conversa foi ótima e em nenhum lugar eu fui apresentada como jornalista. Alguns até achavam que eu era advogada do Luciano e isso foi engraçadíssimo. Ele dizia que eu era parente de alguém que morava na Vila, as pessoas desconfiavam.
Questionei também o uso capião. Os moradores já poderiam ter entrado com esse pedido. Mas como é por cima do terreno do Núcleo que uma alça da Avenida Lauro Gomes vai passar, o interesse público fica acima do privado. Pelo visto é só nesses casos que vemos isso acontecer..
Após 2 horas na Secretaria de Habitação e Meio Ambiente
Uma terça feira corrida.. - Parte I
No fim a Gisele fez uma pergunta que me deixou mal "Vocês aceitam um copo de água?" Não aceitamos, óbvio. Eu devia ter pedido não só um copo, mas uns 100 litros. Imagina se as quase 300 pessoas que moram na Vila estivessem com sede naquela mesma hora...
Luciano e a vista do décimo sétimo andar da prefeitura
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Um exercício de sensibilidade
Uma crítica ao P.I
Trago uma questão, não que eu ache o Projeto Integrado sem razão, acho até um trabalho interessante, mas não nos coloca em contato com o mundo real, nos deixa na posição acadêmica de análise. Analisar tudo de fora, tudo do ponto de vista intelectual. Temos que sair do universo acadêmico e 'botar o corpo no rua'. Deixar de formar profissionais cujo poder de síntese e análise parecem ser tão completos, mas que não são capazes de se sensibilizar com nada. Deixam escapar o essencial, como já dizia o autor de "O Pequeno Príncipe", este que é invisível aos olhos. É por isso que nos deparamos com professores tão contraditórios e nada educadores. Ricos de conteúdo, mas um conteúdo completamente questionável. Qualquer um que se dispuser, assimila textos, livros e etc. A academia é velha e ultrapassada. Quero saber do que te faz sair na rua, dar a cara ao tapa. Só isso te coloca na condição de ser gente, ser humano.
E um parabéns ao Adi, que conseguiu 'sair da caixa' e finalmente nos trazer um trabalho como este.
domingo, 24 de maio de 2009
Documentos jurídicos
As transcrições e meu sono atrasado
sábado, 23 de maio de 2009
A sexta feira que eu não tirei para mim
sexta-feira, 22 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Fotografando IX
Mais cores
Fotografando III
O Luciano já tinha me dito que era só para o menino que ele costumava pedir ajudas assistenciais. Porque para o resto da Vila, ele queria só o que tinha de direito. Casa, água, energia, infra estrutura. Para mim, nada além dos direitos básicos de qualquer cidadão.
Enzo
Fotografando II
Alguns desconfiaram, não quiseram ser fotografados. Compreendi. Tive que compreender até os que foram menos simpáticos. Acho mesmo que a vida de ninguém é uma novela. Ainda mais se tratando de gente. Em compensação outros foram muito queridos, e já moram no meu coração.
A mãe e as menininhas lindas
Fotografando I
Fui clicando tudo. Ao todo foram 400 fotos. Me compliquei inteira, queria gravar, queria fotografar e fazia tudo junto e misturado. O bar da vila foi meu cenário favorito. Algumas casas também. Fui muito bem recebida numa casa de baianos que se mudaram para SP em busca de algo melhor. Olho para eles e pergunto o que pode ser considerado algo melhor? A casa era linda, cheia de cores e gaiolas. Tudo parecia um cenário. A família foi muito querida e eu super bem recebida, com café do jeito que eu gosto, adoçado diretamente na água. Ouvi histórias e me emocionei mais um pouco. Clicava tudo que via. Muita gente e muita paisagem. Pena que algumas fotos não saem tão boas de noite. A próxima visita já foi agendada e será pela parte da tarde. O outono nos proporciona um pôr do sol perfeito para isso.
As cores que me conquistaram
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Hoje é o dia!
sábado, 16 de maio de 2009
A primeira entrevista
Nesse dia demos uma olhada em vários documentos. Cartas, fotos, reportagens, toda a papelada da criação da Associação dos Moradores da Pereira Barreto. Me perguntava qual era a diferença ali, como e por que justamente aquele homem, entre aproximadamente 300 pessoas, tinha resolvido se organizar e fundar a associação. Como surge essa noção de política, de direitos, de deveres? Não soube responder até então. Só nos resta ficar feliz e dormir um pouco melhor. Se depender de gente assim, o direito de alguns ainda estão assegurados.
Fui embora com um bom material. Quarenta minutos de gravações, alguns dados para investigar, fotos para escanear. Deixei dinheiro com o Luciano para que ele xerocasse tudo que tinha. De qualquer forma, fui embora com uma sensação ruim. Me senti invadindo a vida daquelas pessoas, sem nenhuma garantia de retorno, de recompensa. Era eu ali, com meus 21 anos, estudante de jornalismo, ouvindo história de gente que com a mesma idade que eu, já é casado, com filho, trabalha e mora em um terreno abandonado. Era eu ali, na minha situação confortável de repórter, anotando com atenção tudo o que me diziam, me sensibilizando, sim, com tudo que ouvia. Concordando, me indignando, sofrendo junto. Mas após a entrevista, eu entrei no carro e vim dormir no Rudge, deixando pra trás toda aquela gente..
sexta-feira, 15 de maio de 2009
O começo
O jeito do Luciano fez cair a minha ficha. Ele seria o tema do meu trabalho de fotojornalismo. De uma idéia boba e sem graça, daquelas que a gente escolhe de qualquer jeito para conseguir nota no semestre, eu mudei a direção e resolvi apostar em um trabalho sério. Para mim e para todas as 60 famílias que ali residem.
A empolgação não foi só minha. O presidente da associação também resolveu apostar comigo. Seriam dois trabalhos, dois objetivos e duas conquistas. A minha ao desenvolver um projeto assim e a dele em contar toda a sua trajetória. No fim, seriam nossas todas as vitórias.
Fui embora empolgada. E nem me abalei com o primeiro acontecimento engraçado que eu veria ali dentro. Uma moça em um ataque de ciúmes queria porque queria bater no marido. No meio do bar da vila. Entrei no carro e parti com um compromisso selado, completamente motivada. Estaria ali a oportunidade perfeita de um novo olhar sobre o jornalismo, sobre aquelas pessoas. Há algo que precisa ser contado. E será.
Luciano Pereira da Silva